Polícia prende 227 manifestantes em protesto dos "coletes amarelos" em Paris
20/04/2019 17:44 em Notícias

Paris teve mais um sábado de enfrentamentos violentos entre "coletes amarelos" e tropas da polícia. Pelo menos 227 pessoas foram detidas na capital, incluindo menores de idade.

 
 

O 23° sábado consecutivo de protestos dos "coletes amarelos" reuniu pelo menos 27.900 pessoas em várias cidades do país, segundo balanço divulgado pelo Ministério do Interior às 19h (14h em Brasília). Em Paris, duas passeatas contaram com 9.000 manifestantes, contra 5.000 na semana passada.

Militantes radicalizados incendiaram lixeiras e vandalizaram vitrines na praça da República, ponto de convergência dos "coletes amarelos" que haviam declarado duas passeatas para dar um “ultimato” ao presidente Emmanuel Macron. A polícia reagiu com bombas de gás lacrimogêneo e jatos d’água.

O dispositivo de segurança envolveu 60.000 policiais em todo o território francês. Na capital, os agentes efetuaram 20.500 controles preventivos desde as primeiras horas da manhã, com o objetivo de confiscar objetos que pudessem ser utilizados para depredar o comércio ou ferir policiais. Os acessos à praça da República foram sistematicamente controlados, constatou a reportagem da RFI. Jornalistas tiveram equipamentos de proteção – como capacetes – apreendidos, para que no meio do tumulto não se transformassem em projéteis. Ainda assim, carros, motocicletas e bens do patrimônio público foram queimados nos arredores da praça.

Nas ruas, os manifestantes pediam a demissão do presidente Emmanuel Macron, a dissolução do governo e medidas concretas de justiça social. Um amplo perímetro ao redor da Catedral de Notre-Dame foi fechado para evitar ações perto do monumento incendiado. Como nas semanas anteriores, a polícia proibiu manifestações na avenida Champs-Elysées, em torno do Palácio do Eliseu e da Assembleia Nacional.

 
 

"Coletes amarelos" criticam doações milionárias à Notre-Dame

Neste sábado, muitos "coletes amarelos" pareciam ainda mais revoltados. Manifestantes ouvidos pela RFI criticaram as doações milionárias anunciadas por grandes grupos e empresários franceses para a reconstrução da Notre-Dame, enquanto eles estão há cinco meses nas ruas pedindo medidas fortes do governo para melhorar o poder aquisitivo de desempregados, trabalhadores e aposentados com rendimentos modestos.

O clima também foi de tensão em outras cidades como Toulouse e Bordeaux. Desde sexta-feira (19), o governo francês já previa que as manifestações deste sábado poderiam ser violentas, devido à atuação dos participantes nas redes sociais. Extremistas de esquerda anticapitalistas, anarquistas antissistema e grupos de extrema direita anunciaram que participariam do “ultimato” ao presidente da República.

"Violência deve acabar", diz vice-prefeito de Paris

"Essa violência tem de acabar", desabafou o vice-prefeito de Paris, Emmanuel Grégoire. Ele acompanhou o trabalho da polícia no centro de comando da capital e disse ser "inaceitável" ouvir "coletes amarelos" dizerem aos policiais para "se matar". Desde o início do ano, 28 agentes se suicidaram no país, contra 35 nos 12 meses de 2018. As más condições de trabalho são apontadas como causa possível desse aumento de suicídios entre os policiais, em um contexto que só piorou com as manifestações dos "coletes amarelos".

Segundo o vice-prefeito, os estragos na capital foram mais uma vez "muito importantes". "Em todo o trajeto entre as praças da Bastilha e da República ocorreram depredações no mobiliário público (pontos de ônibus, lixeiras, bancos) e contra empresas", lamentou Grégoire.

Franceses insatisfeitos com Macro, segundo nova pesquisa

Com o incêndio da Catedral de Notre-Dame, Macron convocou uma entrevista coletiva para quinta-feira (25), quando deve detalhar as concessões que o governo está disposto a fazer ao movimento.

Segundo uma pesquisa do instituto Opinionway publicada hoje, apenas 27% dos franceses estão satisfeitos com a ação do líder centrista. Este é o percentual mais baixo desde a eleição de Macron, em maio de 2017. Apenas 5% dos entrevistados disseram estar “muito satisfeitos” com o presidente, 22% “relativamente satisfeitos”, 30% “insatisfeitos” e 40% “muito insatisfeitos”.

Fonte: RFI

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